Três anos sem Fischer-Dieskau

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Devia ter eu uns 15-16 anos e os meus pais acabavam de trazer à casa um toca-discos. Entre os primeiros vinis que tivem estava uma seleção da Paixão segundo São Mateu dirigida por Karl Richter. Uma das peças que continha e da fiquei instantaneamente cativado foi “Mache dich mein Herze rein” que cantava um barítono de quem não ouvira falar antes, um tal Dietrich Fischer-Dieskau. Automaticamente tornou o meu modelo vocal. Hoje seria mui simples procurar na internet quem era esse homem, mas daquela não era tão singelo. Tivem que perguntar-lhes aos meus amigos melômanos quem era esse cantante e pedir-lhes outras gravações se tiverem. Depois já viriam os seus lieder, particularmente os de Schubert e algumas gravações operísticas, mas foi graças ao mestre de Einsenach como cheguei a ele.

Fischer-Dieskau foi um excepcional cantante de ópera (desde Mozart até Verdi) e de oratorio (desde Bach até Britten, quem escreveu para ele a parte de barítono do seu War Requiem), mas o gênero que talvez mais contribuiu a divulgar foi o do lied ou canção de concerto.

A sua voz era um autêntico prodígio, ligeiríssima nos agudos, redonda no centro e sonora nos graves. A sua dição precisa em qualquer língua. Declamava os lieder enquanto cantava e conhecia os personagens das óperas tanto como o maior especialista em teatro.

Hoje fai três anos que morreu e homenagearei-no precisamente com uma versão sua da primeira peça que lhe escutei cantar.