Antigos e modernos

No post anterior falava de duas maneiras de abordar a música antiga, quer com instrumentos de época ou quer com instrumentos modernos. Estas duas conceições geraram durante décadas dous bandos incomunicados, os denominados antigosmodernos. Considera-se que o grande momento de convergência entre as duas partes foi a participação de um antigo, Nikolaus Harnoncourt, num evento de modernos, o Festival de Salzburgo onde dirigiu a Chamber Orchestra of Europe em 1992.

Esta simbiose gerou produtos maravilhosos, e mostrou que as duas tendências eram legítimas e necessárias. Trago aqui uma amostra mais recente deste diálogo, onde uma antiga, Emmanuelle Haïm e o seu Le Concert d’Astrée oferece uma deliciosa versão da célebre canção de Claudio Monteverdi “Si dolce è’l tormento” com um cantor lírico de “sala grande” como é o tenor Rolando Villazón. Esta gravação tem, na minha opinião outro valor adicionado. O habitual noutros tempos era vermos uma cantora solista dirigida e acompanhada por um grupo masculino, mas aqui acontece exatamente o contrário, o homem canta e as mulheres dirigem e acompanham.

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