É toda a ópera bel canto?

Estamos costumad@s a escutar a expressão ‘bel canto’ [canto belo] como sinônimo de ópera, mas o certo é que só se deve utilizar para referir-nos a uma etapa da ópera italiana que se origina no século XVII e que culmina na primeira metade do XIX, com as obras de Gioacchino Rossini, Vincenzo Bellini e Gaetano Donizetti.

O estilo belcantista carateriza-se polo predomínio de formosas melodias cheias de adornos, em detrimento de uma orquestra que se mantém num segundo plano, e que concluem com virtuosísticas cadenzas. Habitualmente escolhem-se peças espetaculares para mostrá-lo, mas preferim fazê-lo com esta delicadíssima ária “Ah, non credea mirarti” que canta a Amina, a protagonista de La Sonnambula (1831) de Bellini, interpretada nesta gravação pola Maria Callas. A seguir da reprodução e do texto daremos uma pequena explicação.

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Violetta Valery

A ópera nasce a princípios do século XVII fruto do interesse duns intelectuais italianos ligados a um grupo chamado Camerata Bardi. Sabiam que os dramas da Grécia clássica se representavam cantados, e trabalhárom por encontrar uma fórmula que lhes permitisse recuperar o género. O mito de Orfeu foi o predileto para levar à cena musical, como figêrom Jacopo Peri, Giulio Caccini e, sobretudo, Claudio Monteverdi. Durante quase dous séculos a ópera vai-se surtir fundamentalmente de temas mitológicos até a chegada do Romantismo quando se incorporam também histórias procedentes de diversos períodos do passado.

Giuseppe Verdi era uma pessoa comprometida com o ser humano do seu tempo, além duma figura de grande carga simbólica no processo de unificação da Itália. Isto provocou-lhe não poucos problemas com a censura. Em Un ballo in maschera tivo de substituir a figura dum rei por um governador pois considerava-se inaceitável levar um regicídio ao palco. Em Rigoletto o vicioso rei de Victor Hugo passou a ser um duque, assunto do qual já falámos anteriormente.

O libreto de Francesco Maria Piave recolhe o fundamental de A dama das camélias de Alexandre Dumas, isto é, uma história contemporânea duma prostituta de alta sociedade que morre sozinha e abandonada por causa da hipocrisia da época. E esta alta sociedade foi a que assistiu à primeira representação de La Traviata no teatro La Fenice de Veneza em 6 de março de 1853. A estreia foi um autêntico insucesso, talvez por uma conjunção de maus intérpretes e dum tema que retratava algumas das misérias da sociedade do momento.

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