“Coral” não é o mesmo que “coro”

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Frequentemente escuitamos a palavra “coral” como sinónimo de “coro”, mas apropriadamente só se deveria dizer respeito a uma forma musical concreta originária da Igreja protestante. Imos fazer um pequeno percurso para exprimi-lo.

Em 1517,  Martinho Lutero fixou as famosas noventa e cinco teses na porta da sua igreja. A intenção inicial era a de provocar um debate que concluísse numa profunda reforma da Igreja, mas o papado reagiu rapidamente com a excomunhão do sacerdote alemão, originando o nascimento do protestantismo. Entre os aspectos da Reforma luterana que vão ter uma especial incidência na prática musical salienta a promoção duma maior participação da comunidade em detrimento do poder do clero.

A posição da música dentro da Igreja luterana reflectia as convicções do próprio Lutero, grande amante da música, cantor, compositor e admirador da polifonia franco-flamenga. Acreditava no poder educativo da música e considerava imprescindível que a comunidade participasse no canto. Com esta finalidade criou o coral, uma forma inicialmente cantada ao uníssono -uma soa voz- que acabaria por tornar em homofónica, isto é, textura formada por várias vozes que se movem de jeito uniforme, por outras palavras: que todas pronunciam simultaneamente a mesma sílaba. A fim de que pudesse cantar toda a assembleia, Lutero introduziu a língua alemã, e procurou que a voz principal consistisse numa singela melodia, às vezes mesmo de origem popular.

Se a base da música católica até essa altura foi o gregoriano, o coral teria a mesma importância dentro da protestante durante o XVII e o XVIII na obra de autores barrocos como Georg Philipp Telemann ou Johann Sebastian Bach, de quem deixamos esta mostrade coral: “Erkenne mich, mein Hütter” da Paixão segundo São Mateu.

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