Não só as tunas cantam serenatas

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“Ständchen” [Serenata] é um lied de Franz Schubert (1797-1828) que pertence à coleção de catorze canções chamada Schwanengesang [O canto do cisne] publicada em 1829, um ano depois da morte do compositor austríaco. Contém poemas pertencentes a três autores, Heinrich Heine (1797-1856), Johann Seidl (1804-1875) e Ludwig Rellstab (1799-1860), o autor desta “Standchen”.

Schwanengesang não é propriamente um ciclo de lieder pois, a diferença de Die Winterreise [A viagem de inverno] e de Die schöne Müllerin [A bela moinheira], os poemas escolhidos não têm uma união narrativa. O primeiro editor da obra, Tobias Haslinger, deu-lhe este nome ao considerá-la como o testamento musical de Schubert. A expressão “o canto do cisne” está mui presente na literatura europeia, e tem a origem nos poetas latinos Marcial e Virgílio, que lhe atribuíam a este animal possuía a capacidade de prever a sua morte e de anunciá-la com um som. Hai pouco falávamos do madrigal Il bianco e dolce cigno de Jakob Arcadelt (1515-1568) também baseado no mesmo conceito.

Estamos diante de uma canção estrófica com um singelo acompanhamento do piano que lhe concede à voz toda a liberdade para expressar a beleza da melodia. Uma melodia tão formosa como singela, na que Schubert utiliza magistralmente um procedimento que dominava, que era a mudança entre os modos maior e menor. Isto podemo-lo ver, por exemplo em “des Verräters feindlich Lauschen” onde introduz o modo maior ou no começo da segunda estrofe onde regressa ao menor.

Proponho duas versões para gozar desta peça, uma a cargo do tenor Fritz Wunderlich junto com o pianista Hubert Giesen e outra polo barítono Dietrich Fisher-Dieskau acompanhado por Gerald Moore. O texto com a correspondente tradução podes vê-lo neste site.