Mirella Freni (1935-2020)

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Esta é a primeira grande perda lírica de 2020. A maior parte dos cantores e das cantoras tentamos fazer música numa tensão constante com a nossa voz para podê-la levar ao rego. Freni não precisava disso, tinha um absoluto domínio dum instrumento que sometia aos seus desejos com uma dutilidade assombrosa.

Conta o meu maestro José Antonio Campo uma anedota nuns ensaios de Don Carlo na Ópera de Viena, dirigidos por Claudio Abbado, que representa mui bem esta faculdade. Após interpretar uma ária tão exigente como “Tu che le vanità” com uma naturalidade incrível, dirige-se ao diretor e diz: “Claudio, agora sobre uma perna”. E assim a cantou, sem perder nada de qualidade vocal nem de expressão.

Como homenagem, proponho esta “Si, mi chiamano Mimi”, de La Bohème, que cantava uma estrela de trinta anos. Que a terra che seja leve.