Cinco momentos que che farão adorar Rigoletto

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Rigoletto (1851) é uma das óperas mais populares de Giuseppe Verdi (1813-1901). Constitui a primeira obra da chamada trilogia verdiana, que se completa com Il TrovatoreLa Traviata, ambas de 1853. Esta denominação não se deve a que exista algum tipo de conexão entre elas senão a pouca diferença de tempo entre as suas estreias e a que representam o começo da etapa de madurez do génio de Roncole.

Rigoletto está baseada na obra teatral de Victor Hugo Le roi s’amuse [O rei divirte-se] (1832) com a que o autor queria denunciar a corrupção na corte de Luís XII (1462-1515) por meio da boca do bufão Triboulet, personagem documentado historicamente.

A censura impediu-lhe a Verdi que se focasse a corrupção na figura dum rei -ao igual que em Un ballo in maschera– rebaixando-a até um duque, neste caso, o Duque de Mantova. O bufão, que se chama agora Rigoletto, é um pai viúvo extremadamente protetor com a sua filha Gilda quem acabará morrendo vítima duma maldição que outro pai afrontado lança contra os viciosos cortesãos mas que apenas o bufão assume.

 

1. “La donna è mobile”

Esta maravilhosa ária é uma das mais conhecidas de toda a história da ópera, mesmo por muitas pessoas que não se consideram grandes afeiçoadas ao género. O que talvez muita gente não saiba é que neste momento o Duca manifesta a escassa consideração que tem a respeito das mulheres. Paga a pena dar-lhe uma olhada à sua letra.

 

2. “Caro nome”

A Gilda é a filha do Rigoletto, mas ninguém o sabe. Tem-a praticamente sequestrada na sua própria casa por medo a que seja desonrada por qualquer cortesão. Mas apesar dos esforços do bufão, e com a colaboração da criada Giovanna, o Duca consegue entrar na casa e seduzir a jovem com uma identidade falsa, a do estudante pobre Gaultier Maldé, esse “caro nome” ao que fai referência a Gilda ao começo desta formosíssima ária.

 

3. Quarteto “Bella figlia dell’amore”

Nesta cena de conjunto temos quatro personagens que se agrupam por parelhas: Rigoletto e a sua filha Gilda mais o Duca com a sua suposta amante Maddalena. Situa-se justo depois de “La donna è mobile”, de facto, ao começo podemos escutar como ainda soam na orquestra ecos da célebre ária.

O Rigoletto leva a sua filha -que ainda está namorada do nobre- para que comprove que ela apenas era uma mais dentro da sua longa listagem de conquistas. A Maddalena tem a missão de seduzir o Duca e de levá-lo junto ao seu irmão, o assassino Sparafucile, quem fora contratado polo bufão para vingar-se da afronta à sua filha. Quatro intenções completamente diferentes, a do Duca conquistador, a da falsa amante Maddalena (não tão falsa, se calhar) a do pai protetor e a da filha que não pode superar o amor apesar das evidências. Uma jóia.

 

4. Duo “Tutte le feste al tempio… Vendetta!”

Depois do sequestro, a Gilda sai do quarto do Duca e encontra-se com o seu pai. Começa então um duo no que ela lhe conta como conheceu o seu amante com identidade falsa e como se foi namorando dele. Aparece depois na cena Monterrone, o velho que lhe mandara uma maldição ao começo ao Rigoletto e a toda a gente da corte, a quem o bufão lhe assegura que se vingará de todas as afrontas do Duque, declaração que reafirma cantando a célebre “Vendetta!”.

 

5. “Cortigiani”

Deixei para o final a que é, na minha opinião, uma das cenas mais fascinantes de toda a história da ópera. Estrutura-se basicamente em três partes. Uma primeira na que o bufão anda pola corte na procura da sua filha até que descobre que foi raptada polo séquito do Duca para levar-lha a este como trofeu (embora pensassem não que esta a filha do Rigoletto senão a amante). A secção central na que exige a sua libertação, que começa precisamente com esse “Cortigiani”, uma peça quase declamada sobre uma orquestra que leva um enorme peso dramático. Finalmente, posto que essa exigência não sucede, opta por humilhar-se diante dos sequestradores. Não comento mais. Goza com ela.