Jon Vickers

Nesta fim de semana soubemos da morte do tenor canadense Jon Vickers. Apesar de levar já muito tempo retirado e de ter passado os seus últimos anos padecendo a doença do Alzheimer trata-se duma notícia sempre triste.

A sua voz poderia-se catalogar como de tenor dramático, ou Heldentenor dentro da tradição alemã. Como já comentáramos a respeito de Ángeles Gulín, este tipo de vocalidades não abundam, e são frequentes os casos de cantantes que interpretam este tipo de papeis graças às suas formidáveis faculdades mas que não o podem fazer ao longo de muitos anos devido à sua grandíssima esigência vocal e também, talvez, a uma técnica não devidamente assentada.

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Três anos sem Fischer-Dieskau

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Devia ter eu uns 15-16 anos e os meus pais acabavam de trazer à casa um toca-discos. Entre os primeiros vinis que tivem estava uma seleção da Paixão segundo São Mateu dirigida por Karl Richter. Uma das peças que continha e da fiquei instantaneamente cativado foi “Mache dich mein Herze rein” que cantava um barítono de quem não ouvira falar antes, um tal Dietrich Fischer-Dieskau. Automaticamente tornou o meu modelo vocal. Hoje seria mui simples procurar na internet quem era esse homem, mas daquela não era tão singelo. Tivem que perguntar-lhes aos meus amigos melômanos quem era esse cantante e pedir-lhes outras gravações se tiverem. Depois já viriam os seus lieder, particularmente os de Schubert e algumas gravações operísticas, mas foi graças ao mestre de Einsenach como cheguei a ele.

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Ángeles Gulín

O primeiro comentario dedicado a uma das grandes vozes da história recente tinha que ir para Ángeles Gulín. A Galiza tende a ser um pais pouco preocupado com os seus artistas que não aparecem na história oficial de nenhuma das duas ideologias dominantes, por isso a maior parte da sua gente desconhece que era galega uma das vozes mais singulares do século XX.

Ángeles Gulín (Ribadávia, 1939-Madrid, 2002) tinha uma voz era colossal, duma sonoridade imensa e homogeneamente redonda no agudo e no grave, o que se chama uma soprano dramática. Este tipo vocal é escaso em quantidade de vozes puras mas nao no repertório, especialmente na obra de Verdi, Wagner e dos compositores veristas mas temos exemplos anteriores como Norma de Bellini, Maria Stuarda de Donizetti ou mesmo a própria Rainha da Noite de Die Zauberflöte de Mozart, papel este com o que debutou a Gulín.

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