Alessandro Moreschi, o último castrado

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Apesar de que os castrati desapareceram da ópera a finais do XVIII, continuaram presentes na liturgia católica durante o século XIX. O último castrado do que se tem constância é o romano Alessandro Moreschi (1858-1922). Provinha duma família pobre e foi submetido à castração em 1865 para solucionar uma hérnia inguinal. Talvez este dado explique que fosse operado com apenas sete anos, uma excessiva antecipação ao começo da muda da voz. Depois estudaria música e entraria no coro da Capela Sixtina em 1883, onde se tornaria solista e logo diretor até 1912.

Embora a sua castração não se poda vincular com motivos supostamente artísticos, na Itália era uma prática legal até a sua proibição em 1870. Entre 1902 e 1904 Moreschi gravou dez peças que nos permitiriam aproximar-nos à sonoridade vocal dum castrado, e que se podem escutar no álbum Alessandro Moreschi. The last castrato. No entanto, resulta difícil ver nesta voz -tão deficiente desde o ponto de vista técnico- as virtudes daqueles cantantes que comoveram o público europeu na primeira metade do XVIII. Não lhe daria a estas gravações mais valor que o simbólico de ser as únicas que se conservam dum tipo vocal que nunca deveria ter existido. Independentemente da sua beleza.