A canção de concerto

Não todo o que tem qa ver com o canto lírico é ópera. Por exemplo, a canção de concerto, chamada Lied na Alemanha ou mélodie na França, é uma forma escrita para voz e piano que procura a máxima união entre música e poesia. Nasceu na Alemanha da segunda metade do XVIII mas, apesar de que compositores clássicos como Haydn, Mozart ou Beethoven nos deixarom magníficos exemplos, será no XIX quando goze da sua época dourada graças a Schubert, Schumann, Brahms ou Wolf. O sucesso desta forma não se pode entender sem as figuras dos grandes poetas clássicos e românticos alemães como Goethe, Rückert, Heine ou Lenau.

A diferença dum papel operístico, que está escrito para um tipo específico de voz, uma canção de concerto pode-se transportar (torná-la mais aguda ou grave) para que se adapte ao registo da pessoa que a vai cantar. É mui importante a capacidade declamatória, a sensibilidade literária e a precisão na dição d@ cantante.

Como exemplo, escolhemos um dos mais de quatrocentos lieder que compôs Franz Schubert (1797-1828), “Du bist die Ruh” [Tu és o repouso]. Esta deliciosa peça está baseada num poema de Friedrich Rückert (1788-1866) que podes ver traduzido nesta ligação. O piano, já desde o começo, apresenta um singelo e delicado acompanhamento que transmite a sensação de paz que apenas se altera quando a linha do canto aumenta em emoção, seguindo escrupulosamente o sentido da poesia.

Deixo aqui duas propostas, a do barítono Dietrich Fischer-Dieskau -de quem já falamos em outra entrada– com o pianista Gerald Moore, e a da contralto Kathleen Ferrier acompanhada por Bruno Walter. Escuta-as seguindo o texto, gozarás o triplo.