Violetta Valery

A ópera nasce a princípios do século XVII fruto do interesse duns intelectuais italianos ligados a um grupo chamado Camerata Bardi. Sabiam que os dramas da Grécia clássica se representavam cantados, e trabalhárom por encontrar uma fórmula que lhes permitisse recuperar o género. O mito de Orfeu foi o predileto para levar à cena musical, como figêrom Jacopo Peri, Giulio Caccini e, sobretudo, Claudio Monteverdi. Durante quase dous séculos a ópera vai-se surtir fundamentalmente de temas mitológicos até a chegada do Romantismo quando se incorporam também histórias procedentes de diversos períodos do passado.

Giuseppe Verdi era uma pessoa comprometida com o ser humano do seu tempo, além duma figura de grande carga simbólica no processo de unificação da Itália. Isto provocou-lhe não poucos problemas com a censura. Em Un ballo in maschera tivo de substituir a figura dum rei por um governador pois considerava-se inaceitável levar um regicídio ao palco. Em Rigoletto o vicioso rei de Victor Hugo passou a ser um duque, assunto do qual já falámos anteriormente.

O libreto de Francesco Maria Piave recolhe o fundamental de A dama das camélias de Alexandre Dumas, isto é, uma história contemporânea duma prostituta de alta sociedade que morre sozinha e abandonada por causa da hipocrisia da época. E esta alta sociedade foi a que assistiu à primeira representação de La Traviata no teatro La Fenice de Veneza em 6 de março de 1853. A estreia foi um autêntico insucesso, talvez por uma conjunção de maus intérpretes e dum tema que retratava algumas das misérias da sociedade do momento.

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A canção de concerto

Não todo o que tem qa ver com o canto lírico é ópera. Por exemplo, a canção de concerto, chamada Lied na Alemanha ou mélodie na França, é uma forma escrita para voz e piano que procura a máxima união entre música e poesia. Nasceu na Alemanha da segunda metade do XVIII mas, apesar de que compositores clássicos como Haydn, Mozart ou Beethoven nos deixarom magníficos exemplos, será no XIX quando goze da sua época dourada graças a Schubert, Schumann, Brahms ou Wolf. O sucesso desta forma não se pode entender sem as figuras dos grandes poetas clássicos e românticos alemães como Goethe, Rückert, Heine ou Lenau.

A diferença dum papel operístico, que está escrito para um tipo específico de voz, uma canção de concerto pode-se transportar (torná-la mais aguda ou grave) para que se adapte ao registo da pessoa que a vai cantar. É mui importante a capacidade declamatória, a sensibilidade literária e a precisão na dição d@ cantante.

Como exemplo, escolhemos um dos mais de quatrocentos lieder que compôs Franz Schubert (1797-1828), “Du bist die Ruh” [Tu és o repouso]. Esta deliciosa peça está baseada num poema de Friedrich Rückert (1788-1866) que podes ver traduzido nesta ligação. O piano, já desde o começo, apresenta um singelo e delicado acompanhamento que transmite a sensação de paz que apenas se altera quando a linha do canto aumenta em emoção, seguindo escrupulosamente o sentido da poesia.

Deixo aqui duas propostas, a do barítono Dietrich Fischer-Dieskau -de quem já falamos em outra entrada– com o pianista Gerald Moore, e a da contralto Kathleen Ferrier acompanhada por Bruno Walter. Escuta-as seguindo o texto, gozarás o triplo.

 

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Cinco momentos que che farão adorar Rigoletto

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Rigoletto (1851) é uma das óperas mais populares de Giuseppe Verdi (1813-1901). Constitui a primeira obra da chamada trilogia verdiana, que se completa com Il TrovatoreLa Traviata, ambas de 1853. Esta denominação não se deve a que exista algum tipo de conexão entre elas senão a pouca diferença de tempo entre as suas estreias e a que representam o começo da etapa de madurez do génio de Roncole.

Rigoletto está baseada na obra teatral de Victor Hugo Le roi s’amuse [O rei divirte-se] (1832) com a que o autor queria denunciar a corrupção na corte de Luís XII (1462-1515) por meio da boca do bufão Triboulet, personagem documentado historicamente.

A censura impediu-lhe a Verdi que se focasse a corrupção na figura dum rei -ao igual que em Un ballo in maschera– rebaixando-a até um duque, neste caso, o Duque de Mantova. O bufão, que se chama agora Rigoletto, é um pai viúvo extremadamente protetor com a sua filha Gilda quem acabará morrendo vítima duma maldição que outro pai afrontado lança contra os viciosos cortesãos mas que apenas o bufão assume.

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Jon Vickers

Nesta fim de semana soubemos da morte do tenor canadense Jon Vickers. Apesar de levar já muito tempo retirado e de ter passado os seus últimos anos padecendo a doença do Alzheimer trata-se duma notícia sempre triste.

A sua voz poderia-se catalogar como de tenor dramático, ou Heldentenor dentro da tradição alemã. Como já comentáramos a respeito de Ángeles Gulín, este tipo de vocalidades não abundam, e são frequentes os casos de cantantes que interpretam este tipo de papeis graças às suas formidáveis faculdades mas que não o podem fazer ao longo de muitos anos devido à sua grandíssima esigência vocal e também, talvez, a uma técnica não devidamente assentada.

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